Elvis has left the building



Para os fãs do Elvis, dois dias no ano são lembrados com carinho especial. Um é dia oito de janeiro, quando o rei nasceu. E a outra é hoje. Elvis Aaron Presley morreu no dia 16 de agosto de 1977, e até hoje é inacreditável a multidão que se encanta com suas músicas e sua figura exótica e sexy. Sua importância é inegável: a música That's All Right, gravada por ele em julho de 1954, é considerada o primeiro rock and roll.
O topetão, óculos escuros, jaqueta de couro apertada, calças boca-de-sino, calçados de verniz com salto alto, anéis, gargantilha, cinturão e adereços de metal eram uma prova do seu gosto duvidoso, mas sua voz forte e maravilhosa levava os fãs ao delírio. Também os enlouquecia as melodias contagiantes e seu requebrar frenético, que lhe rendeu o apelido de Elvis, The Pelvis, e influenciou o comportamento de toda uma geração.
Dizem que ele ainda está vivo. Pipocam imitadores, em Las Vegas você mexe numa moita e pulam seis cantando Love me, tender. E locadoras de vídeo, livrarias, casa de discos e Internet oferecem uma quantidade enorme de lembranças, mantendo vivo o mito.
E como o assunto aqui é comida, é por aí que vai a pesquisa. Muitos livros tratam diretamente do assunto, publicam as preferências de Elvis, receitas e tudo mais. Ele tinha gosto simples, paladar de rapaz pobre que nasceu em Tupelo, no Mississippi. Durante sua vida, apesar da mudança de status, as preferências continuaram as mesmas, comida simples e muita, levando o rei a pesar mais de 115 quilos no fim de sua vida.
Em Tupelo os pobres comiam bolinho de fubá frito, legumes, quiabo frito e, se aparecesse algum dinheiro, um pedaço de carne. A família de Elvis não fugia à regra. Nessa época ele aprendeu a gostar de seus pratos favoritos como torta de maçã, batata-doce, broas de fubá, purê de batatas e o seu preferido, o sanduíche de banana e pasta de amendoim.
Sua mãe, Gladys, sonhava em ser atriz e cozinhar não fazia parte de suas prioridades, mas o amor por Elvis a fez caprichar mais. Ela o levava à igreja, onde se comia um pouco melhor (os fiéis levavam comida e faziam piquenique) e onde o menino começou a cantar.
Quando Elvis alcançou a adolescência, nos anos 50, os Estados Unidos foram assolados por uma grande epidemia de mau gosto. Tudo era fake, inclusive a comida. A moda era salada azul, bolo açucarado em formato de coração, e aí por diante. Elvis adorava esse tipo de coisa brega (tanto que logo ele compraria um Cadillac cor-de-rosa), apesar de não ter muito dinheiro para participar da febre.
Logo ele começaria a cantar em troca de comida. Em pouquíssimo tempo, transformou-se no cantor mais famoso do mundo, o rei do rock and roll. Junk food na veia, é a hora dos hot-dogs com muita mostarda e catchup, dos cheeseburguers e da pepsi, sua bebida preferida.
Ao ser convocado pelo Exército, em 1958, já era cantor famoso. Não foi divertido, mas a comida era do gosto do rei. Carne de porco frita, couve, ovos fritos, linguiça, tudo bem farto.
Elvis deixou o exército em 1960 e voltou aos shows, filmes e gravações. Sete anos depois, casou com Priscilla, sua namorada secreta desde sempre, e teve sua filha Lisa Marie (que herdou o mau gosto do pai e foi casada com o Michael Jackson).

Em Graceland, Elvis comia muito de tudo o que queria, especialmente à noite. O menu básico era feito de "ugly steak" - um feio filé de carne, passado na farinha de trigo e frito como frango -, ervilhas de lata na manteiga com um pouco de cebola picada, vagens e catchup. A comida do rei vinha sempre bem picada, como a de uma criança.
No final da vida, comida e tv eram conforto e a companhia para Elvis. Nos anos 70 ele começou a comer compulsivamente. Certa vez chegou a desmaiar ao comer cinco sundaes com calda quente sem quase respirar. Não é de se estranhar que ele fosse freqüentemente internado no hospital de Memphis para uma desintoxicação forçada. Uma enfermeira o ajudava a contrabandear pedaços de torta de banana.
A vida incrível acabou aos 42 anos, graças a um ataque cardíaco causado pela ingestão de drogas. Elvis Presley deixou 33 filmes e vendeu 500 milhões de discos em vida.
Até o ano passado, quem visitasse Memphis podia experimentar as receitas prediletas do rei do rock no Elvis Presley's Memphis Restaurant, na Rua Beale, 126. Infelizmente, o restaurante fechou quando os clientes minguaram. Diferente de Elvis, que continua aplaudido, admirado e imitado no mundo inteiro, sua comida saiu de moda.

Pudim da Sra. Cocke
¾ de xícara de açúcar, 3 gemas, 2 e ½ xícaras de leite, ¼ de xícara de farinha de trigo, 1 colher de (chá) de essência de baunilha, waffers, bananas finamente cortadas, claras batidas para suspiro. Coloque numa tigela o açúcar, as gemas, o leite e a baunilha. Cozinhe em fogo baixo até engrossar, tire e deixe esfriar. Numa vasilha refratária coloque os waffers, a banana e o creme. Repita as camadas. Cubra com suspiros. Leve ao forno para dourar. Sirva gelado.

Salada de 7Up
2 pacotes de gelatina de limão, 2 xícaras de 7Up, 1 xícara de queijo cottage, 1 lata de abacaxi picado, corante verde (opcional). Prepare a gelatina de acordo com as instruções do pacote, substituindo a água por 7Up. Deixe esfriar em temperatura ambiente. Junte os demais ingredientes. Despeje em forminhas individuais e deixe na geladeira por algumas horas. Desenforme, passando a forma em água morna por alguns segundos e sirva em seguida.

Tomates à Mississippi
4 tomates grandes verdes, 1/3 de xícara de óleo vegetal, sal e pimenta-do-reino a gosto, ¾ de xícara de farinha de trigo. Mergulhe os tomates por 20 minutos em água gelada até a hora de usar. Corte em fatias de pouco menos de 1 cm de espessura. Aqueça o óleo em numa frigideira sobre fogo médio. Misture o tomate aos temperos e passe na farinha. Frite em óleo quente até ficarem douradas. Sirva quente ou à temperatura ambiente.


SERVIÇO:

Algumas receitas (em inglês):
Sanduíche de banana e pasta de amendoim
Quiabo frito
Broa de milho
Bolo de carne

Compre os livros:
Are You Hungry Tonight? Elvis' Favorite Recipes - Brenda Arlene Butler
The Life and Cuisine of Elvis Presley - David Adler
Fit For a King - Elizabeth McKeon, Ralph Gevirtz e Julie Bandy
Elvis in Hollywood: Recipes Fit for a King - Elizabeth Mckeon
The Presley Family Cookbook - Vester Presley (tio do homem) e Nancy Rooks
The I Love Elvis Cookbook - Elizabeth Wolf-Cohen

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