Direto do túnel do tempo

Diferente do que se acredita, um site que vende eletrodomésticos pode surpreender. A Consul mostra isso em seu site. Um bom livro de receitas pode ser acessado na página da empresa, com um diferencial incrível.
Além do clássico livro de receitas, a Consul criou páginas das décadas de 1950 a 2010, que mostram o que acontecia no mundo nessa época, o que a empresa realizava e receitas típicas e comentários. Uma viagem no tempo que nos mostra a realidade gastronômica das diferentes épocas, mostrando que a moda também muda na cozinha, muito além dos modelos de avental.
A página da década de 50 é toda em preto e branco e lá se pode encontrar receitas do coquetel meia de seda e do estrogonofe, o prato chique da moda, que não podia faltar nas mesas requintadas e era ensinado em todos os cursos para noivas de São Paulo.
Os psicodélicos anos 60 eram o tempo do abacaxi espetado (que "as moças sem os dotes culinários necessários para encantar o marido" podiam fazer sem susto) e o coquetel de camarão, que era sinônimo de sofisticação e elegância.
A década de 70, confirma a influência dos Estados Unidos na nossa cultura e mesa, e além do rocambole de queijo e presunto e do rosbife era moda o americaníssimo meat loaf, ou bolo de carne moída.
Já mais próxima do gosto de hoje, a década de 80 é a época do brownie com cream cheese, comida à dorê com molho tártaro (camarão, peixe), do carpaccio e do calzone, que andava pelas pizzarias mais badaladas.
Os recentes anos 90 consolidaram o gosto pelos ingredientes vindos de fora, já que a abertura do mercado às importações tornou possível encontrar nos supermercados ingredientes antes caríssimos, como o salmão defumado, e permitiu o preparo de pratos como o crème brûlée, e o
risoto de tomate seco, mussarela de búfala e rúcula.
A nossa década atual traz receitas de gosto misto, a moda dos japoneses e os pratos exóticos como atum agridoce e endívias caramelizadas ao balsâmico.
Para a próxima década, previsões, claro. O site entrevista pessoas como o jornalista Josimar Melo, que apostam em uma valorização da cultura nacional como forma de reação à globalização).
Viu como nem só de vender geladeiras vive a Consul? É por isso que as outras empresas precisavam espiar melhor o que ele andam fazendo. No país dos esquecidos, há de se valorizar esse serviço à memória e ao bom gosto.

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