O primeiro chocotone do ano

Eu odeio panetone. Ou melhor, frutas cristalizadas, porque do pão eu gosto. Então me lembro bem quando vi a prograganda do chocotone pela primeira vez na televisão. Eu era criança, e lembro de pensar que finalmente alguém tinha lembrado de mim, que eu ia poder fazer parte do Natal (drama queen desde cedo, deu pra notar...).
Aí todo o ano um ritual interno se repete: o de comer o primerio chocotone do ano. Vou lá, compro (ou ganho da minha mãe, que também entrou no clima do ritual) e me preparo para aproveitar essa primeira fatia acompanhada de um copo de leite gelado.
Fui saboreando a maciez do pão que as frutas cristalizadas me inpediam de provar e que o chocolate deixou ainda melhor. E me lembrando de como em momentos de tristeza, quando as coisas (ou pessoas) que você gosta te viram as costas e a vontade de se entregar ao drama fica grande demais, a comida sempre é uma companhia segura, que não exige muito, só que não abusem dela para mantê-la especial.
É ela, a comida, que me lembra sempre que tudo passa, ela inclusive, então por que o ruim não ia passar? A pizza portuguesa, imitação meia-boca da pizza-torta da Fioretto. O empadão da tia Iara. Sirigüela em Nova Almeida. Ah, se eu pudesse voltar lá na fogazza de Maceió. Na primeira vez que bebi kir royal, em uma boate qualquer com as minhas melhores amigas. Na palha italiana. Na primeira taça de Veuve Clicquot, num Natal desses.
Mas as coisas não voltam, claro, e a gente vai em frente em busca de novas referências pra nossa biblioteca de lembranças. Cúmulo da auto-ajuda, é a próxima experiência que me faz sair de debaixo das cobertas. Quem sabe o próximo livro não vira o meu preferido? O próximo filme? Música? Pessoa? Dia? Quem sabe o próximo prato não vai ser aquele inesquecível?
Ah, as coisas que uma overdose de chocotone fazem a gente pensar...

4 comentários:

Fernando disse...

Aê, Joana!
Pensei q vc ia escrever algo do festival de Yakissoba, mas depois percebi que, tirando a parte de te encontrar lá, não foi um macarrão (eita sacrilégio!) tão legal assim...
Mas, só pra acrescentar um detalhe no seu texto: descobri há poucos dias que pizza portuguesa não é apenas uma cópia mal feita da feita na Fioretto, ela nem existe em Portugal! Só nao fui procurar a origem dela pq to com overdose de google search ultimamente...
Ah, e sei, ainda to te devendo um texto de fim-de-semana...

Bjoes,
Sonegheti.

joana pellerano disse...

definitivamente a pizza da fioretto era a campeã. a portuguesa não chega aos pés. e de portuguesa só tem a azeitona preta e, talvez, a calabresa... misturar tanta coisa em cima de um pedaço de massa só pode ser invenção brasileira, que não é muito chegado em sabores simples.
e sim, você anda me devendo...

träsel disse...

olá!

não sei se você viu, mas botei um link pro "apetite" lá no www.insanus.org/garfada.

blogueiros culinários do brasil, uni-vos!

aliás, conhece algum outro blog de culinária?

joana pellerano disse...

na verdade só os com link aí...