Retrospectiva

Ao longo desse ano andei pensando muito em qualidade e quantidade. Não me decidi bem nem por uma e nem pela outra. Li o livro da francesa comilona que não engorda, convivi com uns magros de ruim que são de matar, comi loucamente, engordei em escala parecida e jamais, em nenhum momento, me cansei de macarrão, salmão, pizza, sushi, chocolate. Cansei de cerveja, vodca e etcéteras, já não ando tão apaixonada pelo petit gateau. Andei gostando de risoto, a ponto de querer fazer em casa. E de pão, como nunca. Andei também com muita saudades de uns sabores especiais que não voltam, porque carregam embutidos um tempero que só a memória dá. Gostei de espumante, mais que vinho, mas também de vinho, de griserie, o cinzinha que separa o branco da sobriedade da bebedeira negra. Descobri a nata sulista, coisa boa um estágio acima do creme de leite e um abaixo da manteiga, versátil feito uma calça jeans. Li um livro de comida atrás do outro. Finalmente li MFK Fisher, aprendei a driblar o lobo da fome e achei que ela era a mulher mais linda do mundo, mais inteligente, profunda, mas tudo. Sonhei que escrevia bem, e me contrariaram e encorajaram em doses quase iguais. Acreditei, desacreditei, agora não sei bem mais. Mas sigo gostando, mais que de falar, até mais que de comer. Aprendi que comida politicamente incorreta faz sucesso por um motivo: me encantei pela vitela e pelo foie gras, mas bem mais pelo primeiro. Inventei moda como nunca, mas bem fora da cozinha. Gostei de uns amigos novos, amei com muita força os antigos. E, acima de tudo, além de tudo, apesar de tudo, fiz as pazes com o arroz com feijão. E ainda troco qualquer doce por goiabada com queijo.

2 comentários:

Luiza Helena Fardin disse...

Nossa, amei!
Não sabia que vc tinha blog... e olha que eu acabei de matar o meu!
Adorei tudo!

Um monte de bjo.

joana pellerano disse...

que bom que você gostou, menina. apareça!