O alimento do amor

Triângulos no amor e na pizza

Livros que falam sobre comida tem sempre lugar na minha mesa de cabeceira. Viram prioridade imediata e me matam quase sempre de fome, dificultando a tal dieta que eu já adiei tempo demais. Mas enquanto uns fazem isso com fotos belíssimas, outros conseguem dar água na boca só com palavras, com descrições tão realistas que o sabor vem à boca, o cérebro até inventa o que o paladar ainda não provou. Esses são os bons. E assim é "O Alimento do Amor", um romance ótimo com um nome e uma capa péssimos escrito pelo inglês Anthony Capella.
A história se passa em Roma, na Itália, e desvenda com muita eficácia como é a culinária lá na capital de uma das capitais mundiais da gastronomia. As receitas são sugeridas ao longo da narração do triângulo amoroso entre Tommaso, um garçom bonitão e cafajeste, como manda o esteriótipo italiano; Laura, uma americana pronta para abandonar a segurança da manteiga de amendoim e cair no mundo; e Bruno, chef de cozinha atrapalhado e apaixonado pelo que faz.
Resumo: acidentalmente Tommaso escuta a bela Laura prometer à amiga que dali em diante só namoraria chefs de cozinha, que têm muita paixão e experiência em usar as mãos. Para conquistá-la, ele finge ser então esse cozinheiro chique. Mas quem cozinha para impressionar a moça é Bruno, que também acaba se apaixonando por ela. Triângulo, saca?
A história é previsível, claro, mas bonitinha. O elemento surpresa até existe, mas é desnecessário. As expressões romanas abundam, e às vezes cansam. Mas o todo é bem satisfatório como diversão garantida.
A originalidade que faz um pouquinho de falta no roteiro sobra nos pratos que Bruno prepara. De menus chiques a ensopados de tripas típicos de Roma, sobremesas afrodisíacas, receitas da vovó, tudo aparece na cozinha do menino, que arde de amor enquanto queima o dedo em alquimias fumegantes. E as receitas de verdade estão lá também, no final da obra.
Dizem que a Warner já garantiu os direitos para transformar o livro em comédia romântica. Se rolar, vai ser bonitinho. Mas, apesar de ganharem imagens bacanas, os espectadores vão perder as descrições apaixonadas de Cappela, suas escolhas cuidadosas por pratos típicos, diferentes, atraentes e suas piadas com Gennaro, barista obcecado em dar mais potência a sua Gaggia 6000, a “Harley-Davidson das máquinas de expresso”. Mas tá valendo.
De qualquer forma, se você está buscando leitura para domingo à tarde, não esqueça de abastecer uma xícara de café de qualidade e de garantir uma provisão na despensa e na geladeira. Fica a dica. E, a dúvida: será que a Laura vai ser a Julia Stiles?

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