As Mulheres Francesas Não Engordam

Ando meio louca aqui em Barcelona, especialmente por conta das delícias da cozinha mediterrânea. Agora eu entendo melhor do que afinal essa senhorinha estava falando...

Banquete com as deusas
Foie gras, croissant e creme brulée de sobremesa, tudo acompanhado por taças e taças de champanhe. Deixa a gente imaginando como as francesas mantêm a silhueta com uma dieta dessas, não é? Por sorte, uma delas decidiu contar tudo. Mireille Guiliano - presidente do braço americano da companhia que produz o Veuve Clicquot - agora divide seu segredo com as pobres mortais no best-seller "As mulheres francesas não engordam".
Apesar de estar acostumada a dar dicas de emagrecimento e alimentação para as amigas, madame Guiliano não imaginava que esses truques iam permanecer por semanas na lista de livros mais vendidos do New York Times e seriam traduzidos para 23 países.
O sucesso a gente entende logo: é um dos únicos livros que ensinam a emagrecer sem esquecer o prazer. E a garota-propaganda convence. A elegante senhora de meia-idade tem 50 quilos bem distribuídos em seu 1,62 metro de altura, e come em restaurantes nomínimo 300 vezes por ano.
O segredo? Manter o equilíbrio. Ela prega que deve-se apreciar a comida e comer de tudo, sem privações, mas em pequenas quantidades, como nos pratos franceses. "A ordem é jamais passar fome ou vontade, mas instituir alguns sistemas de compensação", explica a autora. "Se vai beber e não dispensa a sobremesa, escolha um prato principal leve", ensina.
Esse equilíbrio Mireille aprendeu do jeito difícil. Na juventude passou uma ano estudando nos Estados Unidos, e engordou tanto que a primeira coisa que seu pai lhe disse na volta pra casa foi que ela parecia um saco de batatas. Ela decidiu reaprender a comer à francesa, e mantém o peso desde então.
Basicamente, "As mulheres francesas não engordam" é um livro para americanas, que enfrentam uma perigosa tendência à obesidade. Por isso Mireille gasta tanto papel explicando que se deve comer frutas, evitar as porções super size e o hábito de comer assistindo televisão.
Mas muitas dicas são valiosas também para as brasileiras. O principal é entender que para ser saudável é necessário ter joie de vivre, uma expresão que não existe em inglês, mas que nós conhecemos bem como "alegria de viver".
O tamanho das porções das receitas propagadas no livro não é muito animador. Mas a perspectiva de comer várias delas a cada refeição e experimentar sabores novos deixa o programa de emagrecimento, no mínimo, menos entediante. E se essa obra de auto-ajuda dietética não te convencer a economizar calorias, pelo menos mostra uma interessante explicação para o chamado paradoxo francês: equilíbrio, finesse e amor pela boa comida.

Algumas dicas de Mireille:

  • Não deixe as comidas que você mais gosta virarem rotina. Elas são especiais, e devem ser tratada como tal.
  • Escolha qualidade, e não quantidade. Um quadradinho de chocolate fino é melhor que uma barrona de chocolate cujos ingredientes do recheio lembram uma aula de química.
  • Em vez de se enfurnar na academia, caminhe. Meia hora após o almoço ou jantar já ajuda. E trocar o elevador pelas escadas também.
  • Não fique se pesando todos os dias. Deixe suas roupas indicarem que você está emagrecendo, e não a balança.
  • Comer um pouquinho de cada coisa deixa a refeição mais interessante que comer um montão de uma coisa só.
  • Coma na mesa, com pratos e talheres decentes, e não em frente à tv. Dê o devido valor às calorias que você está ingerindo.
  • Não pule refeições, e não saia da mesa com fome. Mas também não se empanturre.
  • Beba água, muita água. Refrigerante e cerveja não são substitutos, e ainda engordam!

"As mulheres francesas não engordam", de Mireille Guiliano. 256 páginas, Editora Campus, R$ 39.



Nenhum comentário: