Mudando o mundo ao estilo Apetite


Todo mundo já ouviu falar que para mudar o mundo basta cada um fazer a sua parte. Mas por ser um belo de um clichê ninguém pára pra pensar no assunto. Eu, por exemplo. Mas aí chega uma hora em que esfregam demais na sua cara o quão fácil é mudar um par de atitudes que podem ajudar a melhorar o planeta. E eu me rendi, sabe como é. Não se assuste: não virei vegetariana nem me juntei ao Greenpeace. Mas resolvi fazer a minha parte. E parte disso é contar a você como você pode fazer a sua parte. Ó:

Coma localmente (e mais fresquinho) - Quanto mais perto de você a comida é produzida, menor o caminho que ela percorre até a sua mesa. Então o produtor gasta menos combustível no transporte das mercadorias, perde menos dinheiro com atravessadores (e você acaba pagando mais barato) e te entrega um alimento mais fresquinho e gostoso. Bom para seu bolso, sua saúde, seu paladar e seu cardápio, que ganha mamão papaya de Linhares, morango de Pedra Azul, peroá de Marataízes... Ah, e de quebra, é bom também para o meio ambiente e para o desenvolvimento econômico local.

Diga não a sacolas de plástico (moleza!) - Na Europa a maioria dos supermercados cobra pela sacola de plástico. Ótimo. As sacolas de plástico gastam nosso petróleo e são tóxicas: poluem terra e água e às vezes viram a última refeição de animais desavisados durante seu tempo de decomposição, que pode chegar a um século. Uma alternativa é adotar as sacolas reutilizáveis, mais estilosas e sustentáveis. Quem quis transformar essa idéia em acessório fashion foi a designer inglesa Anya Hindmarch, que fez 500 bolsas de lona e corda com os dizeres "I'm not a plastic bag" e conquistou em cheio as celebridades. Aqui no Espírito Santo a ONG Forte-Ficando (27 3223-5987) também cria modelos bonitões como esse aí da foto. Já a coleção de sacolas que já está lá ocupando o puxa-saco pode substituir o saco de lixo, uma economiazinha bacana...

Não jogue óleo na pia (muuuuito fácil...) - Se comer batata frita te dá remorso, mas jogar o óleo da fritura ralo abaixo não, ai ai ai. Pra começar aquele óleo todo solidifica no esgoto, o que pode render um entupimento na sua casa e até alagar a cidade quando a temporada de chuva bate forte. Além disso, parte desse óleo vai parar nas estações de tratamento de esgoto, o que deixa essa operação bem mais cara para o governo, ou vai direto contaminar mares e rios (e um litro de óleo é o suficiente paera contaminar um milhão de litros de água, o que te bastaria para se refrescar por 14 anos). A solução é colocar o óleo usado em garrafas de plástico (como as pet, de refrigerante), e jogar fora junto com o lixo orgânico reciclável, que vai ser triado e jogado onde deve. Daqui a pouco a gente também pode imitar os ingleses e transformar isso em combustível.

Troque a água mineral pela do filtro (ainda por cima é econômico!) - O problema não é a água, mas a embalagem plástica. A fabricação das garrafinhas é um processo industrial que gasta muita energia e libera grande quantidade de carbono e outros gases que provocam o aquecimento global. E depois elas vão virar montanhas de lixo nem sempre reciclado (no Brasil, mais de quatro bilhões de garrafinhas escapam da reciclagem, e sua decomposição demora pelo menos 100 anos). Além de tudo, uma garrafa de água de meio litro custa 1 real, o mesmo que custa encher a mesma garrafa no filtro quatro vezes por dia durante um ano. Ou seja...

Consuma produtos orgânicos (um investimento a médio prazo) - Há quem confunda a filosofia orgânica com o vegetarianismo ou com a produção de alimentos hidropônicos ou transgênicos. Então vale explicar que os orgânicos são aqueles alimentos produzidos sem aditivos químicos, como agrotóxicos, pesticidas e hormônios. Por isso contêm mais nutrientes, não contaminam a água e mantêm a fertilidade natural e a biodiversidade do solo. Além disso, faz parte da regra só admitir funcionários legalizados e com salário justo. Correto com o planeta e com as pessoas, precisa mais? Ok, precisa sim: baixar o preço. Os orgânicos são produzios em pequena escala e custam mais que os produtos convencionais. Mas se o consumo aumentar, esse preço tende a baixar. Olha a sua parte aí...

Entrou no embalo e quer mais idéias de como fazer desse um mundo mais legal? Dá uma olhada lá nesse manual da etiqueta sustentável. E feliz ano novo, de verdade.



Um comentário:

Ludmila Carvalho disse...

Já estou por dentro dessas ótimas dicas, que tratam-se de hábitos que não são nada difíceis de se adotar :-P