Estômago: tem que ter

Depois de muito, chegou. E fui no cinema ver. E gostei. Então, Estômago.
O roteiro é baseado no conto Presos pelo Estômago, do livro Pólvora, Gorgonzola e Alecrim, de Lusa Silvestre, sobre um nordestino comum, um Raimundo Nonato, que vai crescendo na vida por ter mão boa pra cozinha. No conto, a história pré-cadeia é só um resuminho, e o foco fica no tanto de prestígio que as habilidades culinárias do Raimundo rendem.
No filme, outra coisa. É ascenção e queda de Raimundo Nonato, tudoaomesmotempoagora: enquanto se vê como Raimundo vira Alecrim e cozinha um bocado de coisa boa pros companheiros de cela, a gente acompanha também o que aconteceu antes, a chegada do nordeste, como as receitas foram melhorando, como diabos aquele cozinheiro boa praça foi parar na cadeia.
Estômago é filme brasileiro, e como todo filme brasileiro que se preza tem palavrão e mulher pelada. Aí deram destaque pra personagem da Iria, que eu nem lembro se existe no conto nem nada.
O povo tem gostado muito. Quando estreou por aqui, no Festival do Rio 2007, o filme levou prêmios de melhor filme (no voto popular), melhor diretor, melhor ator e prêmio especial do júri. Quando estreou na Europa, no Festival Internacional de Rotterdam, levou o prêmio Lions Award.
Eu, se fosse você, ia logo lá assistir. Mas viso: no fim, fica a vontade de comer coxinha. E a dúvida: quem foi que achou que comida combina com trilha sonora de propaganda de sabonete?


Mais Estômago? Veja o trailer e confira o livro de receitas inspirado no filme (de graça e escrito por blogueiros, quer melhor?).

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