Aventuras nas zonas (ou Excursão ao Mocotó)

São Paulo é tão grande, mas tão grande, que me dá a impressão de que vou demorar um milhão de anos para conhecer tudo. Imagina só que eu mal descobri o que tem na zona sul, ainda faltam a leste, a oeste e a norte...
O que me consola, entre aspas, é que é assim pra muita gente. Como tudo fica tão longe, a tendência é cada um ficar no seu quadrado, morando, trabalhando, estudando e se divertindo na mesma zona, sem se aventurar pelos bairros vizinhos dos vizinhos. E, óbvio, sem saber o que está perdendo.
Outra dia o pessoal da pós (estou fazendo pós, sabia? Gastronomia: Vivências Culturais. Divertidíssimo) inventou de cruzar a cidade para conhecer o Mocotó, restaurante de comida sertaneja eleito o melhor custo-benefício pela Veja e com chef premiado. O endereço dizia Vila Medeiros, zona norte, e parecia tão misterioso e distante quanto Nárnia.
Uma hora e meia de trânsito e novas paisagens, chegamos num desses bares com balcão, prateleiras repletas de cachaça e cardápio recheado de opções e preços honestíssimos. Soube lá que o lugar tem 35 anos, e no início o Seu Zé vivia de alimentar os boêmios locais com  seu caldo substancioso de mão de vaca, entre uma dose e outra de cachaça. Há uns cinco anos Rodrigo Oliveira, o filho, formado nas artes da gastronomia, emagreceu os pratos e virou sucesso de público (muito público) e crítica.
Não houve uma coisa comida que ficou no mais ou menos. Tudo, mesmo - do caldo que batizou a casa, passando pelo baião de dois e a carne de sol grelhada, o aipim (mandioca?) honrando seu apelido de "manteiga", e as sobremesas surpreendentes, como sorvete de rapadura com calda de catuaba e musse de chocolate com cachaça - estava uma delícia. E quase tudo tem porções em tamanhos diferentes, assim dá pra comer pouquinho ou muitão de cada prato, à escolha do freguês.
Como se não bastasse a qualidade dos mata-fome, a casa ainda oferece uma lista enorme de sucos diferentes (cajá, graviola, hum...) e mais de 300 cachaças, incluindo um licor criação própria que mistura pinga envelhecida com favas de baunilha.
Fica alição: é hora de se aventurar pelas zonas. Tem cantinho demais nessa São Paulo escondendo delícias acessíveis. É só procurar.
PS - Esse texto é dedicado aos coleguinhas feios, bobos e caras de melão da pós que não foram. E ao também coleguinha Sandro, que descobriu relação entre o texto da aula e as sobremesas disputadas a colheradas...

3 comentários:

Sandro (Um Litro de Letras) disse...

É isso, Joana. Vamos mapear São Paulo até descobrir o último recanto escondido ontem tiver aipim manteiga! Hoje eu fui conhecer o lâmen que a Paula indicou -- "Por que sim", na Liberdade.

Paula Carvalho disse...

Joana, você escreve de uma maneira gostosa :). Ah! tenho que revidar a colocação sobre as zonas (opa!). Moro na ZN e mal a conheço... vivo de metrô e 'adoro' cruzar a cidade para chegar ao Senac :(

joana pellerano disse...

Paula, garanto que é mais legal cruzar a cidade pelo sorvete de rapadura... Logo a gente marca outro incentivo de deslocamento bom como este!