Restaurant Week de dentro do balcão

Ela vem duas vezes por ano e sacode a cena gastronômica. E está se espalhando: começou em São Paulo e já invade Rio, Recife, Brasília e Vitória. As duas semanas da Restaurant Week - em que várias casas oferecem menus promocionais para almoço e jantar - ganham toda a atenção da imprensa e os orçamentos dos que gostam de comer e de uma boa promoção.
Mas nem tudo são flores nessa história. Com o destaque que a casa ganha por participar do evento vêm dezenas, às vezes centenas de clientes extras e novos. Muitos desses vão julgar o restaurante com base apenas nessa visita, que sempre conta com um grauzinho de tumulto. Por isso os donos dos estabelecimentos participantes fazem tudo para não perder qualidade na comida e no atendimento: contratam brigada extra para salão e cozinha, planejam um menu de execução relativamente simples e entram em operação de guerra a partir do primeiro dia da RW. A tarefa não é fácil.
"Como trazemos muita gente nova para o evento, não dá pra tirar o olho da equipe. É diferente de trabalhar com uma brigada já treinada, que conhece a rotina”, conta a chef do Boa Bistrô, Tatiana Szeles, a moça do quiabo tatuado no braço. Diz ela que durante essas duas semanas mal sai do restaurante para garantir que todo mundo está fazendo sua parte direitinho.
Para Gustavo Rodrigues, o cara das carnes e dos peixes no D’Olivino, organização é a chave. “Extras nas praças mais usadas é bom, mas o segredo é o mise-en-place, deixar tudo pronto. Não dá pra cortar tomate e assar bruschetta ao mesmo tempo”, diz. Gustavo ressalta ainda a importância de se ter toda a louça lavada e arrumada em lugares pré-determinados, para agilizar.
Já Talitha Ferreira, que já enfrentou RW no Cordel e agora revive a experiência no Brasil a Gosto, o complicado é conciliar a produção em grande quantidade que o evento exige com a rotina já puxada do dia a dia. "O cardápio do evento é só uma opção, entre tantos outros itens do menu original dos restaurantes", explica.
Surpreendentemente, nem todo mundo se descabela. O super chef Juarez Campos participa da primeira versão do RW Vitória, que acontece junto com a versão paulista. Suas duas casas - Oriundi e Brasiliano - servem o menu especial no almoço. E, segundo ele, tudo está relativamente tranquilo. "Com 17 anos de restaurante aprendi a não me aborrecer com esses problemas naturais com a casa cheia, e tenho movimento assim todo almoço de domingo", diz.
Com a correria, como fica o cliente? "Com movimento muito grande há um pouco de demora nos pratos e uma queda natural na qualidade do atendimento. Mas quem vai a restaurante na hora do pique, Dia das Mães, Dia dos Namoradose e em eventos desse porte gosta é de sofrer mesmo", brinca Juarez.
Apesar da trabalheira, toda essa gente continua achando que vale a pena entrar na onda do RW. É estratégia para fisgar novos clientes e teste valioso para chef e brigada. Uma chance de provar que a casa dá conta do recado. “É muito gratificante saber que, se a cozinha consegue se organizar com antecedência, o padrão e a qualidade são mantidos, mesmo servindo um número muito maior de pessoas por dia”, diz Talitha.

5 comentários:

Melissa S. disse...

Mal posso esperar pelo de NYC... tá chegando...

Luana Budel disse...

Nossa, NYC, adora deu água na boca. Que inveja!

Ana Elisa disse...

Joana, engraçado que para mim é o oposto: fujo do RW que nem diabo da cruz. Teve uma meia dúzia de restaurantes que me deixaram uma péssima impressão quando a recepcionista ou o maître me olharam de cima abaixo, esnobes, com ares de "você só vem aqui quando é RW". Fiquei com bronca. É muito tumulto para uma refeição que nem sempre condiz com o usual da casa. Mas pode ter sido apenas má sorte de minha parte... :(

Bjs

joana pellerano disse...

Ana Elisa,
Nem sempre vale a pena mesmo. Tem casas em que o almoço executivo custa o mesmo preço que o menu da Restaurant Week. Aí é bem melhor ir num dia normal, sem tumulto, quando o pessoal da cozinha está trabalhando com calma.
Mas algumas casas já são craques de RW e curtem o bafafá. Acho que vale a pena tentar de quando em quando.

Mel e Luana, :o)

Joana

Anônimo disse...

eu adorei! fui almoçar e jantar fora quase todos os dias quando teve restaurant week aki...

bjssssss

ass: Bia