Preços paulistanos

Recentemente duas reportagens, do Estadão e da Veja São Paulo, chamaram atenção pra um fato que, apesar de amplamente conhecido, é pouco debatido: os preços praticados pelos restaurantes de São Paulo. Comer fora por aqui ficou 10,62% mais caro em 2010, enquanto o índice geral da inflação chegou no máximo a 5,91%.
A reportagem do jornal revela que pagamos em média R$ 41,80 por 270 gramas de filé mignon grelhado. Quase o mesmo preço cobrado pelo quilo do corte de carne no supermercado!
No campo das churrascarias, uma refeição custa entre R$ 76 e R$ 125. E os valores vêm sendo reajustados acima da inflação de São Paulo, que em 2010 ficou em 5,79%.
Eu poderia fazer reflexões sobre o assunto, mas o crítico do Paladar Luiz Américo Camargo já as fez no seu blog, de forma muito mais competente. Vou, então, fazer uma previsão para o futuro baseada no que anda acontecendo nos Estados Unidos.
Por lá, essa tendência de supervalorização da comida de restaurante já está trazendo a barriga do povo para o fogão de casa. O aumento abusivo e a crise obrigaram os americanos a limitar as refeições feitas fora de casa, e a obrigação está virando hábito. Em vez de comer todo dia um lanche meia-boca, estão guardando a grana para investir em refeições mais escassas e comemorativas. Ou seja, enquanto as vendas dos "casual diners" cai, as filas de espera nos 3 estrelas aumenta. Comer fora volta a ser uma ocasião especial.
De olho na economia e nas possibilidades mais saudáveis que minha geladeira oferece, estou empenhada em começar a seguir esse exemplo. Mas não é fácil. São Paulo é a melhor cidade do país para quem gosta de comer bem, muito, diferente. As opções fazem a graça. Noves fora, o que sobra?

4 comentários:

Maria disse...

Eu tô nesse movimento há um tempo, Joana. Se é pra comer fora (e gastar um R$ considerável) que seja pra comer muito bem. Por aqui é frequente pensar em quanto gastei para preparar uma refeição e o custo chega a ser 10x menor que num restaurante. Mas São Paulo é f***! ;O)

joana pellerano disse...

Pois é. E um suco pelo preço do quilo da laranja? Ufa...

Fernando Gasparini disse...

A questão econômica é apenas um fator a ser considerado entre os vários benefícios de se comer em casa. Além da garantia de melhores qualidades de higiene, conservação e qualidade dos produtos, há um outro componente sutil: as nossas mãos. Esse toque no alimento que será ingerido por nós mesmos faz toda a diferença, do ponto de vista mágico! Eu sei o que eu estou pensando e emanando no momento em que faço a minha comida! Num restaurante, não sei. É claro que adooooooro comer fora, mas como ocasião especial, jamais como regra.

joana pellerano disse...

Falou e disse...