A vinificação da cerveja

O nome desse arremedo de post eu roubei desse site. Não havia como batizar melhor um comentário sobre como o mercado produtor e bebedor de cerveja está chegando perto do aspecto menos bonito da história de amor entre o brasileiro com o vinho de qualidade: a chatice.
Quando uma tendência aparece existem dois caminhos: o da moda e o fora dela. Ou você entende desse assunto ou é excluído. Mas nem todo mundo aceita ser deixado de lado. E finge. Faz que sabe, decora um par de frases de efeito, torcendo secretamente para não ser desmascarado por um tipo mais bem informado.
Com o vinho foi assim. Nas rodas de degustação, nas mesas dos restaurantes, mesmo nas varandas dos amigos, o que era pra ser prazeroso passou a depender de dossiê, poker face e sorte para o vizinho não rir do seu comentário sobre as notas de baunilha que o carvalho americano empresta aos tintos.
Quando finalmente ultrapassamos essa fase e ficou tudo bem só querer aproveitar a bebida, sem a obrigação de compará-la verbalmente com todos os outros vinhos já consumidos em vida, é a vez da cerveja. A bebida mais descompromissada do Brasil, a mais querida, começou a melhorar. E está exigindo que os bebedores a acompanhem rápido.
Vamos novamente passar pela fase em que beber uma cerveja cada vez melhor, o que deveria ser sensacional, será acompanhado de um ritual com legendas, o que faz a experiência perder um tanto da graça. Claro que isso tudo faz parte do processo de amadurecimento do consumidor. Mas quando vira regra chateia um pouco. Faz a gente esquecer o lado bom dessa profissionalização e ficar só se perguntando "que horas eu posso começar a beber?".

6 comentários:

Flávia Amaro disse...

Olá Joana, gostei do post, mais acho que ainda me identifico com a bebedora alienada convencional, aquela que não entende nada de notas e tons. Mas de qualquer forma fiquei curiosa, se puder sugerir um próximo post, gostaria de entender um pouco mais sobre esse assunto. Sobre as marcas disponíveis no mercado e suas fórmulas- componentes e suas notas. Enfim....no mais, abraço e até a próxima.

joana pellerano disse...

Oi, Flávia.
Que bom que gostou do post. Eu também sou das que me identifico mais com a parte líquida que com a falada :) Mas estou sempre tentando aprender. Se conseguir o suficiente para um post, prometo um!
Volte sempre!

cronicas gulosas disse...

Sem paciências para dogmas desta ordem. Daqui a pouco vão teorizar sobre a temperatura perfeita de tomar cerveja (...algo entre 15 e 29 graus CELSIUS, p.ex.), o melhor acompanhamento para ela - linguiça frita ou aipim nem pensar! - e coisas do gênero. Isola!!!abs

joana pellerano disse...

É bom que existam regras, desde que elas sejam fundamentadas. E opcionais :)

Andrea disse...

Oi Joana! Sou do curso de jornalismo gastronômico... queria deixar meu blog para que vc dê uma passadinha, com olhar crítico... se tiver um tempinho, tá!

Um beijo!

http://borapracozinha.blogspot.com/

Diana disse...

Muito adequado!
http://femulher.blogspot.com/