Casa da Feijoada

Quando no Rio, feijoada. Sábado, lá pelas 13h, quando o sol esquenta demais nas areias cariocas, o pessoal começa a migrar para as mesas, das de plástico, meio pegajosas de maresia, às com toalhas brancas e engomadas, fresquinhas de ar condicionado.
A mesa que eu escolhi para chamar de minha foi a da Casa da Feijoada, ali em Ipanema, Rua Prudente de Moraes, 10. O lugar tem mais de 20 anos e até já ganhou uns prêmios pelo seu feijão, mas o que me chamou a atenção foi mesmo o nome. Não há como se discutir com esse nome. Feijoada, Casa da Feijoada.
O lugar é pequeno, umas 15 mesas, e devidamente resfriado. Apesar do dia e da hora, não havia espera. Sentamos e gostamos das notícias do cardápio: a feijoada ali supera o conceito de “completa”. Com R$ 62,70 você está comprando entrada, feijoada, sobremesa, batidas e piadinhas cariocas.
A dupla dinâmica dos diminutivos, caldinho de feijão e batidinha de limão, escancaram o já existente apetite. Aí você escolhe as carnes, entre linguiça mineira e paio, costela, lombinho, bacon, língua defumada, carne seca, orelha, rabo, pé. Ah, se não pedir os três últimos, por favor não me conte; eu seria obrigada a parar de falar com você.
Torresmo crocante e linguiça frita vêm dar um oi antes das cumbucas de pedra-sabão invadirem a mesa. Além do feijão e das carnes selecionadas, chegam arroz, farofa caprichada na manteiga, couve mineira, aipim frito e laranja. Eu sempre dedico esse momento ao desafio de alcançar, em apenas uma garfada perfeita, um bocadinho de arroz, feijão, farofa, couve e uma das carnes. É difícil, então tem que ficar tentando, dar um gole na batida e um belisco no aipim, e continuar tentando até que… acabou!
Por último, vêm docinhos caseiros, desses de colher: abóbora com coco, banana e de leite.
Vale contar que não precisa esperar o sábado para mergulhar no feijão de tal Casa, já que o prato é servido ali diariamente, no almoço e no jantar. Eu, se fosse você, corria já para a ponte aérea.

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