Patrimônio

Um dos patrimônios cariocas: Bar Luiz (foto: divulgação)
Poucos locais têm tanto charme e apelo quanto os botecos do Rio de Janeiro. E eles são tão unânimes que inspiraram um novo tipo de estabelecimento comercial: agora tem “boteco carioca” em todo canto do Brasil.Mas em lugar do carisma original, do atendimento boa praça e dos preços camaradas, esses neo-botecos apelam para a juventude descolada com uma decoração mais moderninha, serviço de valet e cardápios com algumas casas decimais indesejadas.
As novas propostas fazem tanto sucesso que viram quase franquias, um modelo replicado até mesmo no Rio. E o que isso faz? Põe em risco a longevidade da fonte de inspiração do negócio.
Bares e botecos clássicos passam sufoco para manter as portas abertas diante de tanta concorrência. O esforço gerou até um apoio da prefeitura: as 12 casas mais antigas da capital viraram Patrimônio Cultural da Cidade.
Os botequins com certidões de nascimento datadas de pelo menos 70 anos atrás ganham isenção do IPTU e uma fama extra. O tombamento é informal e não garante longevidade a ninguém, mas visa incentivar a preservação desses ícones que contribuem até hoje para a formação dessa imagem boêmia do carioca que o resto do Brasil quer copiar.
Guarde bem os endereços, viu? No Flamengo, rua Marquês de Abrantes, 18, tem o Café Lamas, de 1874). O Bar Lagoa, de 1934, fica, dã, na Lagoa, av. Epitácio Pessoa, 1674. E em Santa Tereza, rua Áurea, 26, tem o Armazém São Thiago, conhecido desde 1907 como Bar do Gomes.
Reserve mais tempo para explorar o Centro. Lá tem o Nova Capela (av. Mem de Sá, 96), de 1903; o Bar Brasil (av. Mem de Sá, 90), de 1907; o Bar Luiz (Rua da Carioca, 39), de 1887; o Armazém do Senado (Av. Gomes Freire, 256), 1907; a Casa Paladino (rua Uruguaiana, 224), 1906; e o Cosmopolita (travessa do Mosqueira, 4), 1926. O Restaurante Pastoria (1927) ganhou como apelido o número 28, que ocupa na rua Barão de São Felix. O Café e Bar Rio Paiva, mais conhecido como Bar do Joia, fica na esquina das ruas da Coneição e Lopes de Almeida desde 1909. E fique ligado: como bom caçula, o Adega Flor de Coimbra (av. Teotônio Regadas, 34), de 1938, proíbe beijos ousados.
Na próxima visita ao Rio, anote o roteiro da sua aula de geografia carioca cheia de conteúdo histórico. E faz favor de me voltar com a nota máxima…

4 comentários:

Virginia lucia domingues disse...

gostei das dicas... vou passando para conferir.... bitocas

joana pellerano disse...

Obrigada, Virginia. Volte sempre.

wair de paula disse...

Morei quase ao lado do Bar Lagoa, e tenho saudades imensas de vários botecos cariocas - não estes novinhos, botecos de boutique, mas dos tradicionais. Meu amigo Chicô me apresentou vários, Nova Capela, um em Santa Tereza que esqueci o nome, o bacalhau do Jobi...ótimos tempos. abraços.

joana pellerano disse...

Uma garantia extra de que eles vão esperar uma nova visita, né, Wair?