O caminho da comida

Numa vida de 70 anos, quem dedica duas horas por dia ao ato de comer passa uns seis anos comendo. Dá pra entender porque gastronomia virou moda, e nos encontramos imersos em um mundo de chefs, escolas de culinária, restaurantes finos e artigos em jornais que ensinam como frequentá-los. Em vez de engolir o primeiro bocado que aparecer pela frente, as pessoas passaram a prestar atenção no próprio prato.
Nada mais justo, já que deu um trabalhão chegar até aqui. Foi a alimentação que facilitou o caminho do homem em direção à civilização e trouxe a sociedade ao que ela é hoje. Pois é. Os especialistas dizem que o ato de cozinhar os alimentos separou os homens dos animais, e que as comidas quentinhas e mais macias exigiam menos do maxilar, o que deu espaço para os ossos cranianos antes esmagados se arredondarem e acomodarem um cérebro maior.
No campo da economia, tudo se deve à comida insossa. Lá na Idade Média, quando os mongóis e os turcos interromperam o suprimento dos condimentos do Oriente, a era dos descobrimentos começou. A Europa descobriu que não podia viver sem tempero e lançou-se ao mar e à conquista de rotas alternativas. Além de chegar à canela e ao cominho, encontrou outros mundos. Nós, a América, somos fruto do apetite europeu.
Então, use a criatividade na hora da janta hoje. Provar novos sabores estimula o cérebro e alegra o espírito. Além de ser uma ótima homenagem à nossa história culinária.

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