Férias de cinco minutos

Quando eu era criança e morava em Nova Almeida, trocava até minha Barbie por um ituzinho de abacate. Era um evento ir até à Sorveteria Domingos (av. Capitão Bley, 136), especializada nessas barrinhas comicamente grandes.
Ainda que inspiradas por outros sabores menos verdes, as outras crianças entendiam a minha alegria diante do picolé. Compartilhávamos um segredo gelado que adulto nenhum podia atrapalhar, no máximo, limitar a um por dia.
Já em Vitória, em total abstinência do picolé de abacate, encontrei consolo em morango, creme e chocolate. Não havia joelho ralado, nota baixa ou presente de Papai Noel desviado que um Kibon napolitano não curasse.
Eles tinham esse poder, os picolés. O cinza, o injusto, o errado, o calor: a primeira lambida fazia tudo perder importância. Era hora de férias, de pé no chão, de se sujar sem compromisso, sem o fim do recreio chegar nunca. Uma sensação valiosa que achei que, ao crescer, eu tinha perdido para sempre.
Por muitos anos nem olhei para os picolés, achando que eles estavam acabados para sempre. Mas, aos poucos, uma adaptação mais adulta me piscou o olho. O Diletto de chocolate de origem me conquistou e resgatou a sensação de mergulhar em um mar de boas lembranças, de tranquilidade, de alegria descompromissada.
Por isso, se as coisas andam complicadas para o seu lado, não tema. Nem precisa se enfurnar no sofá ou sair correndo, fugir de tudo. Um Ajellso de coco pode não curar tudo. Mas, certamente, vale a pena tentar.

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