Aquelas do português

Há quase 8 mil quilômetros separando as duas Tascas da Esquina do chef português Vitor Sobral. Mas a de lá (rua Domingos Sequeira, 41C, Campo de Ourique, Lisboa) e a de cá (alameda Itu, 225, São Paulo) não parecem distantes. A proposta casual está na decoração, e, principalmente, no cardápio, que mostra a versatilidade de uma cozinha que nos parece quase datada de tão tradicional.
Os cardápios são gêmeos; o Brasil só sai perdendo com os ingredientes que não têm visto de entrada, como as amêijoas e o queijo Serra da Estrela (uma pena!). Mas alguns convenceram a imigração, como o arroz Carolino e a flor de sal do Algarve. “O que não temos, adaptamos com criatividade”, explica Sobral.
Nota-se no menu-degustação, que traz pratos de raiz portuguesa com ingredientes nacionais. “É uma releitura lusófona que nos permite criar harmonizações muito boas. Particularmente sou um defensor dos produtos brasileiros, ingredientes fantásticos que não eram tão valorizados: o maracujá, a mandioquinha”, comenta o chef.
Batizado de “Fique nas mãos do chef”, o menu-degustação daqui tem versões de 4 a 7 porções, sendo que essa última traz ainda uma sobremesa. Os valores vão de R$ 78,50 a R$135,00.
O cardápio fixo da Tasca da Esquina divide-se em "A chegada", com alguma opcões para montar o couvert (prove o dourado bolinho de bacalhau a R$ 15 a porção com 4), "Entretanto" com os principais e "Por fim" com as sobremesas.
De segunda a sexta é servido o Menu do dia a R$ 53, com sopa ou salada de entrada e doce no final. Quarta tem arroz de pato e, na sexta, bacalhau com natas. Há ainda uma carta de petiscos corajosa, cheia de cortes menos usuais, como bochecha de porco temperada com coloral português e tostas de trigo ou fígados de aves em escabeche de pêra (R$ 24 cada).
A carta de vinhos é quase toda lusitana e traz bebidas produzidas com exclusividade para a Tasca, como o espumante rosé Informal, assinado pelo enólogo Luis Pato (R$ 110). O café vem acompanhado de um shot de creme de arroz doce feito com o Carolino importado e um toque de canela.
Da cozinha exposta, os pratos voam sobre um balcão até o salão decorado pela arquiteta portuguesa Paula Moura, também responsável pelo ambiente da primeira Tasca. O clima informal é ditado pela madeira abundante, a ausência das toalhas de mesa e a horta vertical. A informalidade viajou bem, e trouxe louças, talheres, copos e taças para manter a unidade.
Em Portugal o “da esquina” é sinônimo de lugar ruim, pouco agradável. Nesse ponto, o nome destoa das Tascas de Sobral. Fisicamente, no entanto, a matriz habita uma encruzilhada. Já a de cá fica bem no meio da quadra, sem espaço nem para a metáfora. Piada de português...

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