As Martha Rochas de Belo Horizonte

Quem gosta de botecos deve, imediatamente, correr para Belo Horizonte. Até 13 de maio acontece por lá o Comida de Buteco, festival que faz os milhares de botecos mineiros colocarem sua reputação na mão dos sedentos e esfomeados.
O Comida de Buteco ganha tira-gostos criados pelos bares especialmente para a ocasião. Jurados escolhidos pela organização do evento e público frequentador elegem os melhores petiscos e dão notas para atendimento, temperatura das bebidas e cuidado com a higiene.
O tema desse ano é o queijo, um dos maiores culpados pela boa fama da culinária mineira. São 41 botecos participantes e o guia com endereços e descrição dos petiscos (babador é recomendável) estão disponíveis online.
Eu fui lá passear, mas não quis conferir os candidatos do ano. Fui, de luto, revisitar o Casa Cheia, que abandonou essa disputa há algumas edições. O boteco fica no Mercado Central, escondido entre goiabadas Zélia, queijos Canastra verdadeiros e falsos, cestos de palha e filhotes de cachorro.
No cardápio, várias criações filhas do Comida de Buteco. Já provei quase todos, mas tenho cá meus preferidos, dois segundos lugares do festival: Porconóbis de Sabugosa, safra 2004, e Torresmo de Barriga, de 2008.
O Porconóbis me apresentou as folhas de ora-pro-nóbis (que vêm de uma espécie de cacto e são bem apreciadas por ali) sem a companhia dos frangos ensopados. Aqui elas temperam costelinha de porco, linguiça calabresa e milho cozido, emprestando seu sabor para um caldo que pede para ser raspado do fundo da panela.
O torresmo, cortado em fatias finas, é um dos melhores que já provei. Não bastasse a textura crocante e o sabor que só os porcos de Minas têm, vem acompanhado de uma tigelinha com sumo de tangerina, limão e laranja, para cortar um pouco a gordura.
Mastigando um torresminho, fiquei me perguntando quem, em sã consciência, não daria o primeiro lugar para esse boteco todos os dias. E como deveriam ser de outro mundo os petiscos que fizeram destes as Martha Rochas do Mercadão.
Sempre penso em ir conferir os verdadeiros campeões, ver se o julgamento foi justo. Mas, no fim, fico por ali mesmo. Nada paga uma tarde de domingo no Mercadão de BH. Nem mesmo uma medalha de ouro comestível.

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