Visitas de Toninho

Da última vez em que Anthony Bourdain visitou São Paulo foi para o episódio 9 da terceira temporada de “Sem Reservas” do canal Discovery Travel and Living. Na época, ganhou feijoada, cafuné e apelido, e disse às câmeras que esse tipo de experiência traz à tona um alter ego hippie, que acredita na beleza dos mundos e no amor e na união entre os povos.
Na semana passada, ele voltou. Primeiro, foi provar churrasco, rabada e caipirinhas de “cashasa” para o “Sem Reservas” no Rio. No fim de semana, deu um pulo em São Paulo para “The Layover”, programa em que ele visita cidades no intervalo entre voos, por períodos de apenas um dia ou dois.
O sanduíche foi parar no
Twitter do Bourdain 
A primeira parada foi das mais turísticas: sanduíche de mortadela do Mercadão (rua da Cantareira, 306). Se por aqui todo mundo acha o lanche um exagero, norte-americanos acostumados com sanduíches de pastrami não se intimidam.
Depois foi hora de Mocotó (av. Nossa Senhora do Loreto, 1100), do chef Rodrigo Oliveira. Esse é o lugar onde devem ser levados os estrangeiros. Também os visitantes de outras cidades. Ou ainda aquele conhecido que vem com “vamos marcar um almoço um dia desses?”.
Com preços mais baixos, daqueles que só a Zona Norte paulistana permite, o Mocotó serve receitas nordestinas adaptadas ao paladar do sudeste. Da cozinha de Oliveira saem também ingredientes de sempre com cara nova, como as asinhas de pintado: as nadadeiras são empanadas na farinha de tapioca e servidas com maionese de limão-cravo e pimenta-de-cheiro.
Os dois
Não sendo o bastante, levaram o Bourdain no D.O.M. (rua Barão de Capanema, 549). O restaurante de Alex Atala acabou de ser eleito o quarto melhor do mundo pelo prêmio da revista inglesa Restaurant. Além dos carros-chefe da casa (aposto que foram de fettuccine de palmito pupunha, ostras empanadas com ovas e tapioca e aligot, mistura de queijos gruyère e minas padrão), Bourdain e Atala, ex-punks tatuados e desbocados, devem ter apreciado a companhia um do outro.
Para fechar, foi hora de feijoada de novo, prato que Bourdain define como “o triunfo glorioso da técnica sobre os ingredientes”. O hippie, Toninho, deve ter voltado para dar um oi. Se continuar assim, não vai sobrar cinismo para a próxima visita...

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