Comer como esporte

Julho está chegando, e o fã do esporte sabe o que isso significa... Olimpíadas? Não, a Copa do Mundo da Comilança competitiva:  Nathan's International Hot Dog Eating Championship, que acontece sempre em 4 de julho em Coney Island, Nova York.
Dizem que nessa vida não se pode viver para comer, só comer para viver. Mas esse povo leva essa história muito a sério...
Os Estados Unidos e o Japão são os líderes mundiais da modalidade, mas muitos outros países mundo afora tratam como heróis seus campeões de comer, aquele povo que ganha medalhas não por quilômetros corridos, gols ou cestas, mas por quantidade de rango que mandam pra dentro. Já existe até a International Federation of Competitive Eating, que supervisiona e regula esses campeonatos.
A Internet, esse maravilhoso instrumento para quem quer saber mais sobre o inútil, exibe várias páginas que ensinam como ser um comilão campeão (sabia que comer melancia é o treinamento mais eficaz?) e divulgam biografias dos que ganham a vida comendo, como a magrinha Sonya "Viúva Negra" Thomas, que tem o recorde de comer 206 guiozas em 10 minutos, e Joey "Mandíbulas" Chestnut, detentor do recorde de maior devorador de cachorros-quentes do mundo: 68 sanduíches em 10 minutos.
Como todo bom esporte, a devoração também tem seus dramas. Entre 2001 e 2007, Takeru “Tsunami” Kobayashi (abaixo) era o maior devorador de hot-dogs (53 e 3/4 em 12 minutos). Um atleta renomado e respeitado. Aí ele se contundiu (artrite na mandíbula, pode?) e disse que ia abandonar as quadras, ops, mesas.
Mas, superando todas as expectativas, o atleta voltou à ativa no campeonato de 4 de julho de 2008 e foi para a prorrogação com Chestnut! Perdeu, mas fala que essa linda história de superação não rende um novo A Luta pela Esperança, Seabiscuit ou Menina de Ouro?
Alguém já pensou nisso, claro. "Crazy Legs" Conti, o vigésimo melhor comedor profissional do mundo, ganhou um documentário sobre a sua vida de profissional de competições de comida: Zen e a Arte da Alimentação Competitiva. E passou o dia da estreia no Festival de Tribeca, em Nova York, preso dentro de uma cabine telefônica cheia de pipocas, que seriam todas comidas para promover a fita. Sim, definitivamente tem doido pra tudo.

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