Medalhão de ouro

Fica, vai ter bolo! (foto: Reuters)
O que vem à sua cabeça quando alguém fala “culinária inglesa”? Na minha aparece fish and chips e chá das 5. E só. A cozinha da Inglaterra sofre bullying gastronômico de todo mundo: é sinônimo de comida de avião; nada de cor, sabor ou variedade. Mas esse cenário pode ir parar no museu em breve.
Os Jogos Olímpicos que começam daqui a pouco foram responsáveis por uma transformação que foi além da estética em Londres. A recuperação de áreas degradadas ou de alto risco social em bairros periféricos mexeram com a estrutura da cidade. Houve investimentos bem calculados também em transporte público, segurança e no turismo. Parênteses: toda a infraestrutura dos jogos saiu antes do prazo e abaixo do orçamento.
A recuperação da fama culinária do Reino Unido começou antes e levou bem mais tempo. Houve uma época nessa vida em que a Inglaterra não era muito diferente da França, nem mesmo na qualidade gastronômica. Até a Idade Média o país tinha sua culinária regional baseada em ingredientes frescos, aperfeiçoada ao longo dos séculos.
Mas com o século XVIII e a revolução industrial, cozinhar bem deixou de ser prioridade. Depois, com a Segunda Guerra Mundial, não havia comida suficiente. E, quando a comida falta, ninguém pensa em como realçar suas características organolépticas, mas em como fazê-la render por mais dias.
O cenário desolador ficou no passado. São do Reino Unido quatro dos cozinheiros mais populares do mundo na atualidade - Jamie Oliver, Heston Blumenthal, Gordon Ramsay e Nigella Lawson - e ferve a moda dos gastropubs, bares em que a comida elaborada atrai mais que as bebidas.
No primeiro semestre de 2012 o Red Hot World Buffet fez uma pesquisa com seus 500 mil clientes, e descobriu que a cozinha britânica pulou da sétima para a terceira posição na preferência dos menus de festas. Os Yorkshire puddings ainda perdem para especialidades chinesas e indianas, mas há pouco tempo costumavam ficar atrás de pratos italianos, japoneses, tailandeses e tex-mex.
Para impressionar os turistas que chegam para as Olimpíadas, a companhia aérea British Airways contratou os talentos de Blumenthal, dos restaurantes Diner e The Fat Duck, respectivamente os números 9 e 13 na lista de melhores do mundo na prestigiada lista da revista Restaurant. Em parceria com o chef Simon Hulstone, Blumenthal criou o cardápio que alimentará mais de 3 milhões de torcedores.
Serão servidos clássicos britânicos também renovados, como torta de peixe e carne assada com purê de batatas e raiz forte. Nada de fish and chips. Será o fim desse bullying gastronômico?



2 comentários:

lili disse...

Comida inglesa é batata sem sal

Joana Pellerano disse...

Será que eles vão conseguir fazer você mudar de ideia, Lili?