A cozinha de hoje é diferente da de ontem. Não necessariamente melhor ou pior, mas certamente mais afim à nossa personalidade. Como eu disse outro dia, tudo que acreditamos ser óbvio ululante em relação à alimentação não só é aprendido, mas é mutável ao longo do tempo.
Isso ficou muito claro ao tentar recriar banquetes de diferentes períodos históricos: Brasil no descobrimento, Itália renascentista e França do século XIX. O que já foi comum, como comer com as mãos ou salpicar açúcar em preparações salgadas, para as atuais regras culinárias e de civilidade pode ser estranho e até mal visto.
A primeira atividade foi uma palestra com o crítico gastronômico Arnaldo Lorençato, da revista Veja São Paulo. Esse moço inteligente (e cada dia mais divertido) apontou algumas modas que influenciaram o cenário gastronômico mundial nas últimas décadas e as limitações de se tentar enxergar o passado com olhos de presente.
Em seguida, foi hora de provar os pratos preparados pelos alunos do curso de extensão universitária Cozinheiro Chefe Internacional e seu coordenador pedagógico Leonardo Fonseca. Mas, antes, a turma da pós preparou cada mesa de acordo com as regras de etiqueta e com os costumes do período histórico correspondente.
Em seguida, foi a hora da grande mesa para 22 pessoas ser montada à moda da Itália do século XVI. Comemos torteloni de ervas in brodo alla lombarda, coberto com parmesão, canela e açúcar, sem pratos ou talheres. Apesar de esquisita, a combinação se equilibra bem, e a doçura reforçou o sabor das verduras do recheio.
Uma aula de história na prática...
Quer saber mais sobre a pós-graduação em Gastronomia: História e Cultura do Senac São Paulo? Dá uma olhada na página do curso e no que já aprontamos com os alunos. Ano que vem, pode ser você...
2 comentários:
Recriar banquetes de diferentes épocas é um exercício interessante, antropologia pura. Mas uma frase sua me pegou - de a culinária contemporânea é mais afim à nossa personalidade. As vezes sinto que a gastronomia tenta se impor sobre nossa personalidade, exigindo que a aceitemos soberana - mas talvez seja pelo fato de que não sou um grande entusiasta de espumas e comida imatérica, apesar de aprovar a cozinha de vários chefs frequentes nesta nova corrente. Forte abraço.
Parece mesmo que alguns movimentos gastronômicos tentam se impor aos hábitos, né, Wair?
Pra mim, a comida atual não é só feita de espuma, mas mesmo essa técnica mostra quem somos à mesa: buscamos a novidade, o diferente, o que nos desafia. Acho que é reflexo do tempo...
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