Olhar nem sempre é barato em Buenos Aires. Olhar gente dançando tango, por exemplo, pode custar mais que o hotel. As alternativas são os shows mais despretensiosos (como o do porão do Café Tortoni, na avenida de Mayo, 825) ou as milongas, espécies de gafieiras onde os amadores e profissionais arrastam (a ponta do) pé.
As milongas acontecem todos os dias, é só procurar a sua. Eu fui quarta-feira na La Viruta (rua Armenia, 1366), paguei 5 pesos e fiquei ali, segurando o queixo. Quem chegou mais cedo teve até aula!
Nem precisa procurar tanto para comer por menos. O preço das excelentes carnes argentinas assadas na parrilla dá a impressão de que precisa crediário e cheque especial para pagar a conta dos nossos rodízios mais simples.
Os alfajores custam a metade do que cobram os cafés que importamos de lá, até menos. E a influência italiana na cidade garante que as massas sejam onipresentes e sempre produzidas com farinha de qualidade e cozidas no tempo certo, deixando aquele pouquinho de resistência que o dente gosta.
Beber é outro papo. Conhece alguém que foi à Argentina ultimamente? Então, além de fotos de viagem, você provavelmente também teve que aguentar a reclamação do preço do café e da Coca-Cola.Café é caro na Argentina porque você não paga só pela xícara, mas pelo espaço que ocupa. Sentar-se ali e olhar a cidade acontecer é hábito de europeu que argentino nenhum dispensa.
Já o preço da Coca-Cola ninguém explica. É caro e pronto. Mais caro até que vinho.
Bom, talvez isso explique a alta da “Cueca-Cuela”. Quem opta por pagar mais para beber Coca diante dos melhores malbecs do mundo talvez mereça pagar mais. Eu chamo isso de imposto por falta de juízo. Parece justo.
Um comentário:
Sem chances - co. A oportunidade de tomar ótimos vinhs locais - ou até a Kilmes, cerveja corretinha - a Cusca Cuela fica para o avião - navolta. Abraços
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