Zona cerealista

Fui passear há alguns dias pela zona cerealista de São Paulo. Já tinha ido visitar, mas o convite do Madame Abergine Atelier de Cozinha e do ARQ!BACANA era impossível de recusar: um chef (Rildo Gonçalves) e um guia que sabe tudo sobre a cidade (Laércio Cardoso) iam mostrar o lado desconhecido e bem guardado do parente tímido do Mercadão.
Sem pastel de bacalhau e sanduíche de mortadela, a zona cerealista ficou à sombra do vizinho ilustre desde a reforma de 2004, que transformou o prédio em ponto turístico. De olho no filão aberto pelo Mercadão, aos poucos os lojistas repaginaram os antigos armazéns que vendiam cebolas e cereais no atacado, criando espaços confortáveis para o consumidor final sem inflar os preços como o precursor do movimento.
Se a 25 de março é o paraíso das bijuterias e muambas em geral, a Rua Santa Rosa e adjacências fala alto ao coração dos comilões, desde os naturebas até os gourmets.
Os importados – queijos, vinhos, azeites, chocolates e presunto curado, entre outros – habitam a Casa Flora e o Laticínios Camanducaia. Os produtos árabes estão na Tio Ali, que tem uma super máquina que mói gergelim para fazer tahine na hora. Na rua Professor Eurípedes Simões de Paula o negócio são os temperos, com destaque para pimentas de todos os tipos.
Para quem sentir falta de fazer estripulias no atacado, eu recomendo escapar até o fim da Santa Rosa. Ali, no Largo do Pari, está um centro de distribuição de coco verde: dá para encher o porta-malas do carro com dinheiro que não compraria meio sanduíche de mortadela. À direita, no antigo pátio de manobras da estação ferroviária, há hortaliças e frutas no atacado. O Rildo nos levou lá no pátio interno, onde por R$ 2 comprei um maço de alecrim que vai durar até a terceira geração.
Grãos e castanhas ficam na Santa Rosa e Mercúrio. Cerealista Helena, Empório Roots, Armazém Santa Filomena e Casa de Saron têm estoques a perder de vista e funcionários bem prestativos. Ah, e se disseram que faz bem à saúde no Globo Repórter, eles têm, incluindo quilos da santíssima trindade linhaça, quinoa e chia.
 O Laércio ensinou o Empório Santa Fé costuma ficar mais vazio, uma boa dica para manhãs de sábado. Mas nem nesse dia o movimento se compara com o do Mercadão, cuja fila e os preços quase não justificam mais a visita. De agora em diante, é lá que eu vou levar meus turistas.

4 comentários:

Claudio disse...

Também adoro a zona cerealista, um oásis de boas compras gastronômicas ofuscado pelo glamour gourmet do Mercadão. Belo relato da visita, deu conta de citar cada uma das coisas bacanas que têm naquela região.

Joana Pellerano disse...

Obrigada, Claudio!

Metamorfose Ambulante disse...

Bela dica! Vou verificá-la depois do feriadão! Aproveitando, você sabe onde posso encontrar em São Paulo uma linguiça chamada pelos portugueses como "farinheira"? No Mercadão não tem.

Joana Pellerano disse...

A farinheira nunca vi por aqui, só alheira mesmo... Desculpe.